Rampa de acessibilidade: tudo o que você precisa sobre esse importante item da sua obra

Rampa de acessibilidade

Temas como acessibilidade e mobilidade social estão cada vez mais comuns nos dias atuais, porém, quando se fala de ações práticas para que tudo isso saia do papel as coisas complicam, em razões das dúvidas que podem surgir e também sobre as normas corretas de implementação.

 

O que é a rampa de acessibilidade?

A rampa de acessibilidade é uma adaptação nas construções - públicas e privadas, que facilita o acesso de cadeirantes ou pessoal com mobilidade reduzida e eventualmente não podem subir uma escada, por exemplo.

A rampa de acessibilidade é muito usada em calçadas e também em outros lugares que exijam o deslocamento em diferentes níveis, como por exemplo, o metrô.

 

Os desafios da rampa de acessibilidade

O grande desafio da rampa de acessibilidade está justamente na adequação de obras que já são antigas e que requerem um estudo maior de projetos. Além disso, é muito comum observar rampas de acessibilidade que estão fora dos padrões regulamentários e por isso podem oferecem risco aos usuários e ou até inviabilizar o uso.

 

As normas regulamentadoras

Todo tipo de regulamentação quando o assunto é acessibilidade e edificações, mobiliário e equipamento urbano é regida pela nbr 9050, nela, é possível encontrar todas as descrições, cálculos, especificações e necessidades que um projeto de arquitetura precisa ter para estar compatíveis com as regras de acessibilidade.

Para as empresas ou engenheiros que descumprirem as normas previstas na NBR 9050, estão previstas multas e até mesmo interdições das obras.

 

Entendendo o pne

Porém, para que todo esse processo ocorra de maneira satisfatória e que o objetivo de promover a mobilidade seja plenamente utado, é fundamental que se entendam as necessidades que um pne ou portador de necessidades especiais enfrenta todos os dias para locomover nas ruas e edificações das grandes cidades brasileiras.

Calçadas esburacadas, falta de acesso ao transporte público, escadas, falta de elevadores e tudo isso é só começo. Muitas vezes não nos damos conta de como pequenas atividades do cotidiano podem se tornar grandes desafios para um pne.

Por isso, conhecer a realidade dessa população, entender suas necessidades, convidar para participar das decisões e projetos, são ações que podem promover um ambiente mais colaborativo nas cidades e colaborar para que todos têm acesso digno as dependências das cidades.

A condição de cada pne irá depender do seu grau de mobilidade, como por exemplo, o cadeirante pode ter força física no tronco ou não, pode ter mobilidade nos braços ou não. Cadeira motorizada não quer dizer que o cadeirante tenha uma condição financeira melhor, mas sim o que ocorre muitas vezes, é que ele não tem força nos braços para conduzir a cadeira de rodas. é por isso que a nbr 9050 coloca uma condição ideal de inclinação de rampas de acesso.

 

Quando usar a rampa de acessibilidade é necessário?

Em caso de dúvidas sobre quando é necessário usar ou adaptar a rampa de acessibilidade, é importante ter em mente que para projetos privado - como é exemplo da sua casa, você não precisa ter toda construção adaptada às necessidades de portadores de necessidades especiais, a não ser que você deseje.

Porém, estabelecimentos comerciais, como lojas, restaurantes, consultórios médicos, hospitais, shoppings, parques e mais, devem todos garantir que qualquer pessoa tenha acesso as suas dependências. sem contar, os edifícios públicos, transportes públicos - desde o ônibus ao metrô e vias públicas - como calçadas e viadutos.

Infelizmente, ainda não é comum encontrar instalações e estruturas já adaptadas, porém a expectativa é que com o tempo, as prefeituras, órgãos públicos e empresas passem a adaptar seus estabelecimentos a novas normas e permitam, de uma vez por todas, o acesso de toda a população.

 

Como construir a rampa de acessibilidade ideal?

É importante ter mente que a rampa de acessibilidade funciona não somente para os cadeirantes, mas também para os carrinhos de bebê, pessoas com bengalas, idoso e mais. por isso, ela deve oferecer características universais.

Para projetarmos corretamente uma rampa, precisamos seguir a seguinte fórmula:

inclinação rampa

Sendo:

é a inclinação, em porcentagem.

h é a altura do desnível

c é o comprimento da projeção horizontal.

 

O valor da inclinação da rampa é nada mais, nada menos que a relação entre a altura e o comprimento da mesma em porcentagem.

A NBR 9050 traz uma tabela de dimensionamento de rampas, com a inclinação admissível em cada segmento. para inclinação entre 6,25% e 8,33% devem ser previstas áreas de descanso nos patamares, a cada 50 m de percurso. Veja abaixo como deve ser a inclinação das rampas de acordo com a norma:

norma de acessibilidade

Fonte: NBR 9050

No caso de reformas, onde não haja de forma alguma uma solução que atenda integralmente esta tabela de inclinações, a norma permite que se construam rampas com inclinações superiores a 8,33% (1:12) até 12,5% (1:8), conforme tabela abaixo:

norma rampa de acessibilidade

Fonte: NBR 9050 

É fundamental levar em consideração na hora do planejamento que as rampas construídas com inclinação muito grande, dificultando o acesso pelo pne e que por isso, perdem sua função de promover um acesso digno e seguro para essa população.

rampa acessibilidade

Projeto de uma rampa para uma escada existente corretamente. fonte: nbr 9050 

 

Os complementos da rampa de acessibilidade 

Além da construção da rampa de acessibilidade, também existem outras exigências, como o uso de piso tátil para deficientes visuais e piso antiderrapante para evitar acidentes. Essas e outras normas, também são regidas pela NBR 9050.

Apesar de ter um custo de construção, que muitas vezes afugenta principalmente os comerciantes, as rampas de acesso precisam ser cada vez mais incluídas nos projetos arquitetônicos, e a sociedade precisa ter a consciência de que a cidadania é para todos e que, além disso, podem trazer até mesmo benefícios financeiros, com o aumento da circulação de pessoas em estabelecimentos comerciais.

Um espaço acessível, além de socialmente correto, atrai um público que só quer uma coisa: conseguir se locomover com a maior autonomia possível. Pensemos nossas cidades para todos.

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